{"provider_url": "https://www.cambuquira.mg.leg.br", "title": "Hist\u00f3ria da Cidade", "html": "<p>A cidade de Cambuquira se encontra em uma regi\u00e3o de baixas eleva\u00e7\u00f5es da Mantiqueira, em um vale cercado por morros e colinas, e tem sua hist\u00f3ria ligada a um sistema aqu\u00edfero com idade estimada em mais de 40 mil anos e profundidade que pode chegar a 5 km.</p>\r\n<p>No Circuito das \u00c1guas, nas cidades de Cambuquira, Caxambu, Concei\u00e7\u00e3o do Rio Verde, Lambari e S\u00e3o Louren\u00e7o, os aqu\u00edferos s\u00e3o fraturados, permitindo a circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por meio de fissuras nas rochas. Esses aqu\u00edferos s\u00e3o sistemas din\u00e2micos onde rochas, \u00e1gua e ar interagem, influenciando as caracter\u00edsticas da paisagem e da vida local.</p>\r\n<p>Localizada em \u00e1rea de declives e abundante em \u00e1guas minerais, Cambuquira est\u00e1 situada em uma depress\u00e3o alongada, onde as \u00e1guas do aqu\u00edfero emergem naturalmente por fissuras nas rochas, formando brejais.</p>\r\n<p>Em alguns pontos, essa \u00e1gua entra em contato com diques de rochas alcalinas, enriquecendo-se com minerais. Quando atravessa forma\u00e7\u00f5es que liberam di\u00f3xido de carbono (CO\u2082), torna-se carbogasosa, adquirindo propriedades que h\u00e1 s\u00e9culos s\u00e3o reconhecidas na regi\u00e3o.</p>\r\n<div><br /><img alt=\"fotohistoria03\" height=\"188\" src=\"https://www.camaracambuquira.mg.gov.br/images/stories/fotohistoria03.jpg\" width=\"250\" />\r\n<p><b>As origens de Cambuquira</b></p>\r\n<p>A hist\u00f3ria de Cambuquira est\u00e1 intimamente ligada \u00e0s suas fontes hidrominerais, conhecidas por suas propriedades terap\u00eauticas e medicinais desde antes da coloniza\u00e7\u00e3o. Situada na Serra da Mantiqueira, em uma regi\u00e3o rica em \u00e1guas subterr\u00e2neas carbogasosas, a \u00e1rea era habitada por povos ind\u00edgenas, como os Puris, Botocudos e Araris, que possivelmente utilizavam essas \u00e1guas para fins curativos.</p>\r\n<div>\r\n<p>Para esses povos, as \u00e1guas eram parte de um sistema cosmol\u00f3gico que via a natureza como um todo interconectado.</p>\r\n<p>O nome \"Cambuquira\" reflete essa rela\u00e7\u00e3o. Uma das interpreta\u00e7\u00f5es mais aceitas vem do tronco etnolingu\u00edstico tupi, onde \"cambu\" significa \"mamar\" ou \"beber do seio\", e \"kira\" significa \"jovem\". Juntos, formam a express\u00e3o \"beber do seio jovem\", associando as \u00e1guas minerais ao seio materno, simbolizando vida, cura e nutri\u00e7\u00e3o. Outra interpreta\u00e7\u00e3o, ligada ao tronco Macro-J\u00ea, sugere que o nome deriva de \"Cambuchi\", termo que designa um recipiente usado para armazenar \u00e1gua e alimentos, refletindo a geografia da regi\u00e3o, que se assemelha a uma cumbuca cercada por montanhas. A cumbuca simboliza tanto a geografia da regi\u00e3o quanto a pr\u00e1tica ancestral de coletar as \u00e1guas minerais que surgem espontaneamente na localidade, pr\u00e1tica ainda presente na popula\u00e7\u00e3o residente, autodenominada \u201cPovos das \u00c1guas\u201d.</p>\r\n<p>Assim, al\u00e9m de descrever a conforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou geoespacial do territ\u00f3rio, a palavra \u201cCambuquira\u201d pode trazer um sentido geopol\u00edtico, sugerindo que a \u00e1rea foi historicamente rota de peregrina\u00e7\u00e3o e de cura para povos ind\u00edgenas.<b></b></p>\r\n<p>Segundo essas releituras dos top\u00f4nimos, a interpreta\u00e7\u00e3o popular de Cambuquira como \u201cbroto de ab\u00f3bora\u201d, famosa em Teodoro Sampaio, pode n\u00e3o ser a mais correta. A grafia seria \u201cJerimumquira\u201d, palavra tupi para ab\u00f3bora.</p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p><b>A coloniza\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es</b></p>\r\n<img alt=\"fotohistoria01\" height=\"176\" src=\"https://www.camaracambuquira.mg.gov.br/images/stories/fotohistoria01.png\" width=\"346\" />\r\n<p>Com a chegada dos colonizadores, a ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o mudou significativamente. Os bandeirantes, em busca de ouro e pedras preciosas, avan\u00e7aram sobre o territ\u00f3rio, deslocando os povos ind\u00edgenas e explorando os recursos naturais, incluindo as \u00e1guas minerais. No s\u00e9culo XVIII, com a distribui\u00e7\u00e3o de sesmarias pelo governo portugu\u00eas, surgiram as primeiras fazendas na Serra da Mantiqueira, que dependiam do trabalho escravizado de ind\u00edgenas e africanos.</p>\r\n<p>As terras de Cambuquira foram apropriadas pela fam\u00edlia Leme da Silva Goulart, descendentes de bandeirantes, e vinculadas ao Arraial de S\u00e3o Cipriano, mais tarde chamado de Campanha da Princesa da Beira. A regi\u00e3o era marcada por fazendas como Estiva do Barreiro, Boa Vista do Barreiro, Mato Grosso do Barreiro e Congonhal do Barreiro, voltadas \u00e0 agropecu\u00e1ria e \u00e0 cafeicultura.</p>\r\n<p>A origem da cidade est\u00e1 ligada mais propriamente \u00e0s fazendas Boa Vista do Barreiro e a Mato Grosso do Barreiro, deixadas como heran\u00e7a para escravizados pelas irm\u00e3s Anna Ang\u00e9lica, Joanna e Francisca da Silva Leme Goulart.</p>\r\n<p>A Fazenda Boa Vista do Barreiro, na regi\u00e3o nas proximidades do hoje Parque das \u00c1guas, era pertencente \u00e0s irm\u00e3s Anna Ang\u00e9lica e Francisca da Silva Goulart, uma terra que se destacava justamente por abrigar as fontes de \u00e1guas minerais, que abrigavam as famosas \"\u00e1guas virtuosas\".</p>\r\n<p>As irm\u00e3s Anna e Francisca da Silva Leme Goulart, propriet\u00e1rias da Fazenda Boa Vista, deixaram as terras onde estavam as fontes como heran\u00e7a para seus ex-escravizados, com a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o fossem vendidas, apenas repassadas por heran\u00e7a.</p>\r\n<p>Em 1860, o vereador C\u00e2ndido In\u00e1cio Ferreira Lopes iniciou o processo que culminaria na desapropria\u00e7\u00e3o das terras. Ele enviou of\u00edcios, junto com caixas de \u00e1gua engarrafadas artesanalmente, ao presidente da Prov\u00edncia de Minas para destacar o valor medicinal das fontes, alegando que as \u00e1guas continham \u00e1cido carb\u00f4nico e ferro, com propriedades terap\u00eauticas, defendendo a necessidade de desapropria\u00e7\u00e3o para explorar esse potencial.</p>\r\n<p>No entanto, em 1862, o Estado desapropriou a localidade, alegando utilidade p\u00fablica devido \u00e0s propriedades medicinais das \u00e1guas. Relatos orais indicam que os ex-escravizados foram expulsos sem compensa\u00e7\u00e3o, perdendo o direito \u00e0s terras que lhes haviam sido concedidas.</p>\r\n<p>A disputa envolvia tanto interesses econ\u00f4micos e medicinais, quanto quest\u00f5es raciais, pois as terras estavam sob a posse de negros alforriados, que, antes da aboli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham, segundo os interesses da \u00e9poca, o direito de possuir terras que, naqueles tempos, j\u00e1 eram muito ambicionadas. Isso refor\u00e7ou processos de injusti\u00e7as hist\u00f3ricas que n\u00e3o permitiram que a vontade das tr\u00eas irm\u00e3s fosse efetivada.</p>\r\n<img alt=\"fotohistoria02\" height=\"202\" src=\"https://www.camaracambuquira.mg.gov.br/images/stories/fotohistoria02.png\" width=\"348\" />\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p><b>O desenvolvimento urbano</b></p>\r\n<p>A descoberta de fontes de \u00e1gua mineral na propriedade atraiu muitas pessoas em busca de suas propriedades terap\u00eauticas.</p>\r\n<p>Em 1872, fundou-se o Arraial de Cambuquira, erigido em distrito de Campanha. Em 1874, o arraial de Cambuquira j\u00e1 contava com 53 edifica\u00e7\u00f5es. As terras da antiga Fazenda Boa Vista do Barreiro foram adquiridas pelo Estado de Minas Gerais. Em 1880, Cambuquira foi elevada \u00e0 categoria de freguesia e, em 1884, anexada ao munic\u00edpio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es do Rio Verde. A urbaniza\u00e7\u00e3o se intensificou a partir dos anos seguintes, com a atua\u00e7\u00e3o do engenheiro Am\u00e9rico Werneck e do qu\u00edmico franc\u00eas Charles Berthaud, que isolou as fontes minerais, e a implementa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como os correios (1892) e a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria (1894), expandindo ainda mais a popula\u00e7\u00e3o. Por fim, a inaugura\u00e7\u00e3o do Parque das \u00c1guas, em 1899, consolidou Cambuquira como destino terap\u00eautico.</p>\r\n<p>Outrossim, a cidade de Cambuquira foi uma das primeiras cidades projetadas do estado de Minas Gerais, com ruas largas, cal\u00e7adas amplas e arboriza\u00e7\u00e3o selecionada. Na primavera, as flores de centenas de \u00e1rvores perfumam a atmosfera da cidade, criando um cen\u00e1rio singular.</p>\r\n<p>O munic\u00edpio de Cambuquira foi oficialmente criado em 12 de maio de 1909, e sua sede foi elevada \u00e0 categoria de cidade em 10 de setembro de 1923. Em 1970, recebeu o t\u00edtulo de Est\u00e2ncia Hidromineral, refor\u00e7ando sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica ligada \u00e0s \u00e1guas minerais carbogasosas e confirmando sua voca\u00e7\u00e3o para o turismo e a sa\u00fade.</p>\r\n<p>Cambuquira mant\u00e9m sua tradi\u00e7\u00e3o como est\u00e2ncia hidromineral, preservando suas fontes naturais e sua hist\u00f3ria como espa\u00e7o de cura e de conex\u00e3o com a natureza.</p>\r\n<p><b>Forma\u00e7\u00e3o administrativa e gent\u00edlico</b></p>\r\n<ul>\r\n<li><b>Cria\u00e7\u00e3o do distrito</b>: 30 de novembro de 1880, com a denomina\u00e7\u00e3o de Vila de Cambuquira, subordinada ao munic\u00edpio de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es do Rio Verde.</li>\r\n<li><b>Eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 vila</b>: 30 de agosto de 1911, desmembrando-se de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es do Rio Verde.</li>\r\n<li><b>Eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade</b>: 10 de setembro de 1925, com a denomina\u00e7\u00e3o de Cambuquira.</li>\r\n<li><b>Altera\u00e7\u00e3o topon\u00edmica</b>: 7 de setembro de 1923, quando a Vila Cambuquira passou a ser chamada apenas de Cambuquira.</li>\r\n<li><b>Gent\u00edlico:\u00a0</b>Cambuquirense</li>\r\n</ul>\r\n</div>\r\n</div>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.cambuquira.mg.leg.br/author/adm", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal de Cambuquira", "type": "rich"}