PARA TRATAR COM ECONOMIA, MAIS VALE A TOPOGRAFIA

por adm publicado 17/04/2012 00h00, última modificação 19/02/2026 12h42

J.B. Matiello Eng Agr.  MAPA e Procafé

A cafeicultura da zona de montanha no Brasil, situada, principalmente, na Zona da Mata de Minas, área serrana do Espírito Santo e nas áreas limítrofes do Sul de Minas com São Paulo, vem apresentando dificuldades, especialmente nos trabalhos de colheita. Essas dificuldades ocorrem por que a operacionalização dos tratos nos cafezais é feita, quase que totalmente, de forma manual, o que exige grande contingente de trabalhadores, os quais tem sido escassos, de baixo rendimento e de custo elevado, o que aumenta os custos de produção do café.
Algumas opções para reduzir e racionalizar o uso de mão de obra no manejo das lavouras de café em áreas montanhosas, já vem sendo utilizadas, destacando-se:
1- Plantio adensado, para redução das áreas tratadas e intensificação das lavouras;
2- Condução das plantas por podas de recepa em ciclos mais curtos, para trato e colheita de plantas mais baixas;
3- Uso de podas de esqueletamento no sistema safra zero, para concentrar a produção e reduzir o custo de colheita;
4- Uso de equipamentos auxiliares, para uma mecanização parcial, como canhões atomizadores, derriçadeiras costais motorizadas etc.
Por outro lado, lavouras cafeeiras em áreas de boa topografia, ao permitirem mecanização quase plena, tem seus tratos e a colheita muito facilitados e a custos mais competitivos.
Diante dessas duas diferentes realidades da cafeicultura brasileira, condicionada pelo tipo de topografia dos terrenos, vem sendo desenvolvida, ultimamente, uma nova opção para facilitar os tratos de cafezais em áreas montanhosas, agora adaptando a sua topografia, através da abertura de pequenos terraços, construídos entre as linhas de cafeeiros, por onde podem passar pequenos tratores estreitos, munidos de implementos, como pulverizadores, roçadeiras, adubadeiras, etc, sendo que no futuro é provável que se adapte, também, pequenas derriçadeiras acopladas a esses tratores.
O micro-terraceamento vem sendo feito com tratores de pequeno porte, porém traçados, operando de ré, com uma lamina traseira. Eles tem uma largura de 1,2 a 1,3 m. A maior dificuldade desta pratica é o baixo rendimento operacional e custo elevado no terraceamento, também sendo mais difícil aplicá-la em terrenos excessivamente inclinados, pela maior altura de corte e do barranco que fica.
Em recente viagem realizada pelo interior da Europa, tivemos a oportunidade de observar que o terraceamento é uma prática muito utilizada, para fruteiras em geral, especialmente no cultivo de videiras e oliveiras. Verificamos que lá as montanhas só são cultivadas após o terraceamento, sendo que áreas não terraceadas somente são usadas para reflorestamento. Lá existem terraços quase milenares, muitos construídos com muros de pedras.
Com isso, ficamos convencidos que a alternativa de terraceamento deve ser melhor estudada e desenvolvida para uso em larga escala na cafeicultura de montanha no Brasil.
Eduardo Silva Moreira
Extensionista Agropecuário Emater/Cambuquira